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Temporada de veraneio 2025/2026 em Florianópolis: síntese sobre os impactos, tendências e o que os dados já indicam

De acordo com Prefeitura Municipal de Florianópolis, a temporada de verão 2025/2026 tende a consolidar Florianópolis como um dos principais polos turísticos do país, com efeitos diretos e indiretos sobre economia local, serviços urbanos, mobilidade, saneamento, meio ambiente, mercado imobiliário e segurança pública. A Prefeitura trabalha com projeção de cerca de 3 milhões de turistas no ciclo oficial da Operação Verão (15/11/2025 a 15/05/2026), apoiada por reforços operacionais em frentes como eventos, infraestrutura e atendimento ao visitante.





1.Tendências que devem marcar o verão 2025/2026:

1.1. Internacionalização do fluxo turístico (mais vôos e mais estrangeiros):

O Aeroporto Internacional de Florianópolis projeta um verão recorde com 2,1 milhões de passageiros totais entre dezembro e março, sendo 819 mil internacionais (alta projetada de 19% vs. período anterior) e com maior peso relativo de rotas internacionais na alta temporada.

No pano de fundo, Santa Catarina vem registrando crescimento expressivo no turismo internacional em 2025, com altas anuais relevantes nas chegadas, segundo divulgações oficiais e dados consolidados por entidades públicas do setor.

1.2. Mudança no perfil e no gasto do turista (comércio e serviços mais pressionados):

A pesquisa “Verão no Litoral Catarinense” da Fecomércio-SC (última temporada consolidada, verão 2024/2025) apontou: envelhecimento do público (idade média mais alta), aumento do gasto e crescimento de estrangeiros, com destaque para argentinos. Entre os recortes divulgados: avanço em gastos com hospedagem e alimentação, além de aumento do gasto médio por grupo. Em nível macro, o Estado também divulgou que SC teve desempenho forte no turismo no verão de 2025, entre janeiro e março, com base em levantamento da Fecomércio usando dados do IBGE, sinalizando tração do setor no ciclo recente.

1.3. Expansão e profissionalização do aluguel por temporada (STR) e seus efeitos colaterais:

Plataformas e análises de mercado indicam alto volume de anúncios e relevância econômica do short-term rental (STR) em Florianópolis. Em 2025, estimativas de mercado - AirDNA e AirROI - apontam milhares de listagens ativas, com indicadores de ocupação/diária e receita média como referência de dinâmica do setor.

Em paralelo, estudo divulgado pela própria plataforma Airbnb com base em levantamento atribuído à FGV estima efeitos econômicos relevantes da atividade no município (PIB, renda e empregos) em 2024, reforçando a centralidade do segmento na temporada.

2. Impactos econômicos: quem ganha, quem sofre e onde aparecem gargalos

De acordo com a Fecomércio SC, alimentação, transporte, serviços pessoais e comércio em geral tendem a capturar a maior parte do “multiplicador” do turismo. A evidência mais concreta está na elevação de gastos reportada por pesquisas setoriais e no aumento de fluxo aéreo projetado (Floripa Airport), que funciona como proxy operacional do volume de visitantes de maior alcance geográfico.


Ao mesmo tempo, o verão produz custos públicos e privados: mais contratações temporárias, pressão por reposição de equipes, manutenção urbana, reforço na saúde e na fiscalização. A Prefeitura, ao anunciar a Operação Verão 2025/2026, já sinaliza aumento de complexidade operacional (eventos, infraestrutura, gestão de serviços e fluxo turístico).


3. Mobilidade e infraestrutura urbana: o “imposto invisível” da superlotação


Segundo o site Floripamanha.org, em Florianópolis a mobilidade é um dos pontos mais sensíveis do verão. Mesmo sem um único indicador oficial no anúncio da temporada, o próprio desenho da Operação Verão enfatiza o tema como prioridade (coordenação, medidas operacionais e parcerias de orientação ao trânsito).

Na prática, os efeitos esperados incluem:

  • Picos de congestionamento em eixos de ligação Ilha–Continente e acessos às praias, elevando tempo de deslocamento e custo logístico de serviços.

  • Pressão sobre transporte por app e táxis, além de maior demanda por ônibus em corredores turísticos.

  • Impacto no comércio local (janelas de abastecimento e entregas) e em serviços essenciais (saúde, segurança, coleta).


4. Saneamento e meio ambiente: balneabilidade e resiliência do sistema

4.1. Balneabilidade como termômetro da temporada

Em novembro o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA/SC) publicou o primeiro relatório de balneabilidade da temporada 2025/2026 (coletas semanais), informando que, em Florianópolis, 67 de 87 pontos estavam adequados para banho (77,01%) na divulgação inicial da temporada.

Esse indicador é central porque balneabilidade influencia diretamente a reputação do destino, a permanência média, o gasto local e a percepção do turista.


4.2. Carga extra de água e esgoto.


A CASAN reconhece explicitamente que o verão eleva a demanda hídrica e a carga no sistema de esgotamento sanitário, e descreve ações operacionais para a temporada (ex.: ampliação de caminhões limpa-fossa, manutenção preventiva e início de operação de estrutura em Canasvieiras).

Em termos de impacto, isso tende a reduzir risco operacional, mas não elimina a vulnerabilidade típica do pico: falhas localizadas, extravasamentos, odores e aumento de ocorrências em áreas de alta densidade sazonal.


5. Limpeza urbana e resíduos: aumento de volume e reforço de coleta


O verão também é uma “prova de estresse” para a limpeza urbana. Segundo se apurou (Tudo Aqui SC), a Prefeitura anunciou reforço de coleta nos balneários, com aumento de frequência durante o período crítico (meados de dezembro ao fim de fevereiro, conforme divulgações).

Como base de contexto, os indicadores públicos da COMCAP apontam a escala da operação de resíduos na cidade e ajudam a dimensionar o desafio quando a população “flutuante” cresce (toneladas/dia e volume anual movimentado).



6. Segurança pública e salvamento aquático: operação sazonal e prevenção

Santa Catarina estrutura operações sazonais específicas para o período:

  • A Polícia Civil formalizou regras e funcionamento da Operação Estação Verão 2025/2026 em boletim interno, com vigência e diretrizes administrativas para atuação durante o ciclo.

  • O Corpo de Bombeiros Militar anunciou a pré-temporada da Estação Verão 2025/2026, com abertura de postos de guarda-vidas no Estado, reforçando o componente de prevenção e resposta rápida.

O impacto direto é a redução de riscos (afogamentos, incidentes em praias e áreas turísticas) quando há cobertura adequada; o indireto é o custo operacional e a necessidade de coordenação com serviços municipais e de saúde.

7. Mercado imobiliário: valorização, aluguel (longo e curto prazo) e tensões sociais

A temporada 2025/2026 deve reforçar duas dinâmicas simultâneas:

7.1. Pressão do aluguel por temporada ou Short-term rental (STR) e monetização do imóvel.

Com dados públicos e estimativas de mercado indicando grande base de anúncios e receitas relevantes (AirDNA), o STR segue como um dos motores econômicos do verão, afetando precificação por bairro e ocupação.

7.2. Efeitos sobre o aluguel residencial e acessibilidade:

O debate público cresce porque o aumento do STR pode competir com a oferta do aluguel de longo prazo. Há literatura acadêmica na FGV sobre impactos do STR em preços de aluguel residencial (não específica de Floripa, mas diretamente pertinente ao mecanismo econômico). (FGV Repositório)

Em paralelo, a cobertura local de 2025 mostra alta e valorização de aluguel em Florianópolis em diferentes regiões, reforçando a leitura de um mercado pressionado.

8. Comentário analítico

O conjunto de informações abordadas no artigo revela, de forma bastante clara, que a temporada de veraneio 2025/2026 em Florianópolis não pode mais ser analisada apenas como um fenômeno turístico sazonal. Trata-se de um processo estrutural, com impactos econômicos, urbanos, sociais e imobiliários que se repetem anualmente, mas que ganham intensidade à medida que a cidade se consolida como destino nacional e internacional.

Do ponto de vista econômico, os dados indicam que o turismo segue como um dos principais motores de geração de renda local. O aumento do fluxo de passageiros no aeroporto, especialmente de turistas internacionais, e a elevação do gasto médio apontada pela Fecomércio-SC confirmam que o verão continua sendo um período de forte dinamização do comércio, da hotelaria, da gastronomia e dos serviços. Esse movimento gera emprego, amplia a arrecadação indireta e sustenta milhares de pequenos negócios, sobretudo nos bairros turísticos da Ilha.

Entretanto, esse crescimento ocorre de forma concentrada no tempo e no espaço, o que expõe fragilidades históricas da cidade. A mobilidade urbana, por exemplo, permanece como um dos gargalos mais visíveis. O aumento expressivo da população flutuante transforma deslocamentos cotidianos em trajetos longos e imprevisíveis, afetando moradores, trabalhadores do setor de serviços e até o próprio turista. O verão, nesse sentido, funciona como um teste anual da capacidade viária e da gestão do trânsito, com efeitos diretos sobre produtividade, qualidade de vida e percepção do destino.

No campo do saneamento ambiental, a balneabilidade aparece como indicador-chave. Os relatórios do IMA/SC demonstram que, embora a maioria dos pontos monitorados esteja própria para banho no início da temporada, o sistema opera próximo do limite. A sobrecarga nos sistemas de esgotamento e abastecimento de água, reconhecida pela CASAN, evidencia que o crescimento do turismo e da ocupação urbana não foi acompanhado, na mesma proporção, por investimentos estruturantes suficientes. A recorrência de problemas nesse setor impacta diretamente a imagem da cidade e a sustentabilidade do modelo turístico.

A limpeza urbana e a gestão de resíduos reforçam essa mesma lógica. O aumento da coleta e das operações especiais durante o verão mostra que a cidade depende de soluções emergenciais para lidar com volumes excepcionais de lixo. Isso tem custo elevado e revela a necessidade de políticas mais permanentes de educação ambiental, logística e infraestrutura adequada à sazonalidade extrema de Florianópolis.

No âmbito da segurança pública e do salvamento aquático, a existência de operações sazonais específicas demonstra um reconhecimento institucional de que o verão altera significativamente o perfil de risco da cidade. A ampliação de efetivos e a abertura de postos de guarda-vidas reduzem ocorrências graves, mas também reforçam a ideia de que o funcionamento pleno da cidade depende de estruturas temporárias e intensivas, com impacto direto no orçamento público.

Talvez o aspecto mais sensível e estratégico abordado no artigo seja o mercado imobiliário, especialmente a expansão do Short-Term Rental (STR). O aluguel por temporada se consolidou como um vetor econômico relevante, capaz de gerar alta rentabilidade para proprietários e investidores durante o verão. Os estudos citados indicam impactos positivos em renda e emprego, mas também apontam efeitos colaterais importantes, como a pressão sobre o aluguel residencial de longo prazo e a transformação da dinâmica de bairros tradicionalmente residenciais.

Nesse contexto, o STR deixa de ser apenas uma alternativa de renda e passa a ser um tema de ordenamento urbano e política habitacional. A tensão entre moradia permanente e uso turístico do imóvel é um dos grandes desafios das cidades turísticas maduras, e Florianópolis já apresenta sinais claros desse conflito. Para o investidor, o cenário segue atrativo, mas exige cada vez mais profissionalização, atenção às regras urbanísticas, ambientais e condominiais, além de sensibilidade aos impactos sociais gerados.

Para o morador, o verão representa um período de adaptação forçada: mais trânsito, mais ruído, maior custo de vida e alterações profundas na rotina dos bairros. Para o poder público, é um ciclo de gestão intensiva, com soluções temporárias para problemas estruturais. E para o mercado imobiliário, é um momento de alta oportunidade, mas também de crescente complexidade regulatória e reputacional.

Em síntese, o artigo evidencia que a temporada de veraneio 2025/2026 reafirma um dilema central de Florianópolis: como conciliar crescimento turístico, qualidade de vida, equilíbrio ambiental e acesso à moradia. Enquanto esse equilíbrio não for enfrentado de forma integrada e de longo prazo, o verão continuará sendo, ano após ano, um período de prosperidade econômica acompanhada de fortes tensões urbanas e sociais.

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Image by João Roger Goes Pereira
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